Artigo · Letras · 2020 · Português
A flâneuse na literatura brasileira: espaços e temporalidades contestados
Sara Brandellero
Resumo
A questão do espaço, e sua “produção”, conforme Lefebvre (1974), vem se revelando uma rica área de pesquisa para os estudos literários, assim como as questões ligadas à mobilidade em suas diferentes realidades: de experiências de migração e diáspora a trânsitos urbanos, para citar alguns exemplos. Nesse contexto, a figura do flâneur, intrinsicamente ligada às experiências e representações da modernidade urbana, tem atraído considerável interesse crítico. Em geral, pouco explorada ainda é a figura de seu equivalente feminino, a flâneuse, pois, como bem observa Wolff (1985), a experiência da modernidade tem sido, em grande parte, narrada sob um ponto de vista predominantemente masculino. A partir do conto “Amor”, de Clarice Lispector (1960/1998), e o texto “Um corpo negro pelado”, de Miriam Alves (2014), este artigo discute como esses textos parecem dialogar com o paradigma da mobilidade moderna, analisando personagens femininas em trânsito na literatura brasileira contemporânea escrita por mulheres como tentativas de repensar a experiência desta mobilidade, agora como um ato político e de busca de empoderamento feminino.
- Tipo
- Artigo
- Área
- Letras
- Ano
- 2020
- Idioma
- Português
- Licença
- CC BY-NC
- DOI
- 10.1590/2316-40185910
Como citar (ABNT)
BRANDELLERO, Sara. A flâneuse na literatura brasileira: espaços e temporalidades contestados. Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, n. 59, 2020. DOI: 10.1590/2316-40185910.
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