Artigo · Direito · 2025 · Português
Lei Maria da Penha e resistência judicial: enquadramento hétero da violência de gênero em Belo Horizonte, Brasil
Samantha Nagle Cunha de Moura
Resumo
O que a Lei Maria da Penha - e as mulheres brasileiras em geral - tem a perder ao ser aplicada pelas instituições do Direito? Com um estudo de teorização fundamentada nos dados que analisou medidas protetivas e entrevistas com profissionais do Direito usando métodos mistos, o artigo mostra como outras dinâmicas relacionais que perturbam o marco heteronormativo são tornadas invisíveis (a lei não é aplicada) ou apenas inteligíveis por meio de um enquadramento hétero (aplicação por emulação). Apresento esse método de manutenção de hierarquias de gênero e sexualidade como o modus operandi da heterojustiça, um sistema de regras e instituições jurídicas caracterizado pelo conservadorismo de gênero e pelo autoritarismo, que tem como objetivo a manutenção da família tradicional heterossexual como norma. Concluo que uma análise multinível da violência de gênero é necessária para ir além de uma abordagem estritamente intersubjetiva ou estrutural, incluindo também uma investigação em nível institucional, que é importante para avaliar criticamente nosso contínuo engajamento com o Sistema de Justiça Criminal.
- Tipo
- Artigo
- Área
- Direito
- Ano
- 2025
- Idioma
- Português
- Licença
- CC BY
- DOI
- 10.1590/2317-6172202546
Como citar (ABNT)
MOURA, Samantha Nagle Cunha de. Lei Maria da Penha e resistência judicial: enquadramento hétero da violência de gênero em Belo Horizonte, Brasil. Revista Direito GV, v. 21, 2025. DOI: 10.1590/2317-6172202546.
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